(Valter Campanato/Agência Brasil )
Política

Militares e Centrão fazem malabarismo para não criticar Bolsonaro e estar no governo

O presidente Jair Bolsonaro busca formar uma coalizão com o Centrão e os militares para recuperar poder em seu governo. O efeito por enquanto é que os dois campos tentam se equilibrar diante dos disparates diários cometidos pelo presidente. É o preço a pagar por espaço no governo.

Por dever e por já estarem no governo, os militares evitam criticar o presidente; os políticos do Centrão fazem o mesmo porque ainda estão colocando os pés dentro do governo e não querem colocar em risco os cargos prometidos.

  • A maioria das pessoas tem o hábito de fazer churrascos, estar com a família ou praticar esportes no domingo. Jair Bolsonaro prefere participar de atos contra a democracia, em defesa de uma ditadura. Ontem, domingo (03/05), como de hábito, o presidente esteve em mais um evento produzido sob medida, no qual usou o nome das Forças Armadas para atacar o Supremo Tribunal Federal.
  • Os militares prezam a hierarquia e devem obediência à Constituição e ao presidente. Assim, precisam fazer malabarismos para expressar sua opinião sem se comprometer com as aventuras de Bolsonaro e sem compactuar delas.
  • Nesta segunda-feira (04/05), o Ministério da Defesa divulgou nota oficial na qual condenou a agressão a jornalistas que ocorreu na manifestação e reforçou seu compromisso com a democracia e a liberdade.
  • Foi a forma encontrada para não criticar o presidente, mas mostrar que não participam de iniciativas antidemocráticas, como um golpe de Estado, nem querem saber de uma “intervenção”.
  • A manifestação, tímida, é um aviso a Bolsonaro, uma forma de delimitar até onde vai o apoio dos militares.  
  • Os políticos do Centrão fazem o mesmo. A maioria evitou comentar a atitude do presidente. Quem o fez, procurou minimizar o efeito, dizendo que Bolsonaro procurou apenas dar uma demonstração de poder a seus seguidores mais radicais e fiéis, após a derrota que lhe foi imposta pelo Supremo Tribunal Federal.
  • Tanto militares quanto políticos do Centrão sabem que, no momento, o presidente precisa mais deles do que eles do presidente. Com a popularidade no chão, a recessão chegando e em conflito com o Supremo e a maior parte do Congresso, Bolsonaro busca apoio para não sofrer um processo de impeachment.

Uma coalizão de militares e políticos sedentos por cargos e benesses é uma invenção de ocasião de Bolsonaro. Se a intenção do presidente for usar militares para vigiar a turma do Centrão no governo, a convivência terá curta duração.

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