(Carolina Antunes/Presidência da República)
Política

Saída de Moro vai custar caro a Bolsonaro por muito tempo

leandro@vortex.media

Da forma como se deu, a saída de Sérgio Moro do Ministério da Justiça é o mais duro golpe recebido pelo governo Jair Bolsonaro. As declarações de Moro nesta sexta-feira (24/04) afetam diretamente a imagem do presidente e podem ter reflexos graves em sua já baixa popularidade.

Por que isso importa?

A demissão de Sérgio Moro com críticas fortes pode abalar a imagem do presidente Jair Bolsonaro e criar dificuldades no futuro.

  • Em entrevista de despedida, Moro disse que deixa o governo porque Bolsonaro insistia há meses para fazer trocas na cúpula da Polícia Federal sem justificativa e em ter acesso a relatórios confidenciais de inteligência da polícia. A declaração é péssima para Bolsonaro: mostra que ele quer controlar a PF, interferir em seu trabalho, algo que não cheira bem para um presidente da República e ameaça a democracia.
  • Bolsonaro quer substituir o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo e superintendentes da PF, em especial o do Rio de Janeiro, por pessoas de sua confiança para ter controle sobre investigações que afetam seus filhos. Um inquérito tem como alvo o senador Flávio Bolsonaro. Outra investigação, sobre disseminação de fake news e ameaças ao Congresso e ao Supremo Tribunal Federal, chegou a um assessor do deputado Eduardo Bolsonaro.
  • A investigação das fake news, em especial, pode atingir diretamente a milícia digital que envolve milhares de robôs que espelham notícias falsas, atacam críticos e adversários de Bolsonaro e adulam o presidente. É uma arma que tem sido fundamental para o sucesso de Bolsonaro nas redes sociais.
  • Essas informações e as declarações de Moro derrubam a imagem de Bolsonaro como um político comprometido com o combate à corrupção. Mostram o presidente como um político que quer usar o cargo para evitar que a polícia investigue seus filhos.
  • Moro sempre foi mais popular que Bolsonaro, de acordo com pesquisas de opinião, devido à atuação na Operação Lava Jato. Sua saída – ainda mais na forma como se deu – pode afastar parte deste numeroso público do presidente.
  • Para azar de Bolsonaro, Moro sai ao mesmo tempo que o Centrão está entrando no governo. Parlamentares do Centrão odeiam Moro e comemoraram sua saída porque foram os mais castigados pela Lava Jato. Com Moro de saída e o Centrão na entrada, ficará difícil para Bolsonaro dizer que faz parte de uma “nova política” e que combate a corrupção.

A saída de Moro vai alimentar a paranoia de Bolsonaro de que o ex-ministro tem pretensões eleitorais. Moro sempre negou isso. Mas Bolsonaro conviverá com esse fantasma até 2022. Em duas semanas, devido exclusivamente a seus atos, o presidente fabricou dois potenciais adversários eleitorais: o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta e agora Sérgio Moro.

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