(Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Política

Paulo Guedes: as circunstâncias que permitem ao ministro errar nas falas

leandro@vortex.media

O presidente Jair Bolsonaro pode ter se incomodado, mas não deve maltratar o ministro da Economia, Paulo Guedes, pela infeliz frase que misturou sobre empregadas domésticas, dólar e viagens ao exterior. Guedes é um elemento fundamental de sustentação do governo e não representa uma ameaça eleitoral ao presidente.

Por que isso importa?

Pela segunda vez em uma semana, o ministro da Economia, Paulo Guedes, proferiu uma frase desastrosa, que atrapalha a gestão de sua área e o governo.

Guedes foi ao inferno na quarta-feira (12/02): ao falar sobre as vantagens da alta do dólar frente ao real, soltou uma frase preconceituosa sobre viagens ao exterior de empregadas domésticas quando dólar esteve barato. Bolsonaro apenas comentou que também considerava o dólar caro.

  • Bolsonaro pode fazer muito pouco além disso. Guedes é o principal pilar de sustentação do governo. As pesquisas que mostram a popularidade do presidente sempre baixa, colocam a economia como uma das áreas mais bem avaliadas do governo.
  • Assim como Sérgio Moro gera avaliação positiva ao governo com a imagem de combate à corrupção, Paulo Guedes comanda a área que, na visão dos brasileiros, tem sido positiva.
  • Além das pesquisas, Guedes dá o verniz liberal que faz o governo ser bem aceito pelo mercado financeiro e pelo setor produtivo. Sem ele, ou com ele enfraquecido, acaba a esperança de que Bolsonaro possa fazer as reformas liberalizantes consideradas importantes. Seu enfraquecimento seria uma perda de apoio importante para um governo tão jovem e tão impopular.
  • O verniz liberal na economia garantiu ao governo, graças ao Congresso, a aprovação da reforma da Previdência. É sua maior vitória e será seu legado. Sem a veia liberal de Guedes, o governo Bolsonaro se limita à pauta de costumes, que foi sistematicamente barrada no Congresso.   
  • A vantagem de Guedes é não ser candidato a nada. No caso de Moro, Bolsonaro e seu núcleo mais próximo enxergam um adversário, quase um inimigo em potencial, porque sua alta popularidade sugere grandes chances eleitorais. Guedes, por seu lado, não é político, nem tem perfil para ser (aliás, como suas frases mais recentes comprovam). Como não será concorrente do presidente, ele escapa da paranoia dos bolsonaristas.
  • A sorte de Guedes é o fato de a oposição estar desarticulada no Congresso. Em outra situação, o ministro sofreria um desgaste público maior.

Foi a segunda armadilha que Paulo Gudes armou para si mesmo e caiu em uma semana. Antes, havia comparado servidores públicos a parasitas, o que serviu de desculpa para o governo atrasar sua proposta de reforma administrativa. No ano passado, destemperos e erros de Guedes abriram espaço para que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), se tornasse o artífice da reforma da Previdência.

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