(Carolina Antunes/Presidência da República)
Política

Escolha para a Casa Civil reflete distância de Bolsonaro da política

leandro@vortex.media

A iminente troca de Onyx Lorenzoni pelo general Braga Netto na Casa Civil evidencia o distanciamento do presidente Jair Bolsonaro do meio político. Reforça a prática de Bolsonaro recorrer aos militares sempre que tem problemas políticos ou administrativos.

Por que isso importa?

O fato de preferir militares para diversos cargos mostra as dificuldades do presidente em negociar e confiar em aliados políticos. Isso pode refletir mais em assuntos de interesse do governo no Congresso.

  • Onyx é o último político entre os ministros que trabalham no Palácio do Planalto, tradicionalmente os mais próximos de um presidente. Sua saída é um reflexo da relação distante de Bolsonaro com o Congresso.
  • Sem partido e com uma pequena base de apoio no Congresso, o presidente tem dificuldades em distribuir o poder entre os poucos aliados. Prefere cercar-se de militares e de assessores próximos, sem vínculo com o Legislativo.
  • A alternativa de nomear um político para a Casa Civil no lugar de Onyx obrigaria o presidente a ouvir seus aliados e negociar um nome, algo que fatalmente geraria descontentamentos entre quem não fosse contemplado. Bolsonaro tem preferido evitar esses dilemas típicos dos presidentes.
  • Com a escolha de Braga Netto, Bolsonaro repete o procedimento mais comum em seu governo: em caso de dificuldade, chame os militares. Foi assim na crise das queimadas na Amazônia, nas filas do INSS e para a presidência de autarquias e estatais. Foi assim também quando decidiu tirar a articulação política das mãos de Onyx, no ano passado.
  • Do ponto de vista prático, a escolha do general Walter Souza Braga Netto é mais simples. Tradicionalmente poderosa, a Casa Civil foi esvaziada pelo presidente durante a fritura de Onyx. Se optasse por um político, Bolsonaro teria de oferecer algum atrativo, como restituir parte das responsabilidades; com um militar, não precisa fazer isso.
  • Mas a manobra tem um preço a médio prazo: os aliados, ainda que fiéis, podem se ressentir de Bolsonaro. Afinal, quando surge um cargo, o presidente prefere entregar aos militares. Políticos vivem de gestos, cargos, verbas. Sem isso, as alianças são menos resistentes.
  • Em uma semana, Bolsonaro trocou dois ministros e ainda pode trocar um terceiro, se for confirmada a ida de Onyx para o Ministério da Cidadania, no lugar de Osmar Terra. Fica em aberto a possibilidade de o presidente mexer em outros ministérios, o que caracterizaria uma reforma ministerial – algo que ele negou que faria.

O general Braga Netto é o primeiro militar a chefiar a Casa Civil desde o general Golbery do Couto e Silva, no governo João Figueiredo, o último do período da ditadura militar. Golbery deixou o cargo em agosto de 1981.  

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