(Geraldo Magela/Agência Senado)
Política

No Senado, Weintraub joga para base bolsonarista em busca de apoio

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, atuou para permanecer no cargo, não para responder a perguntas sobre sua gestão, em audiência nesta terça-feira (11/02) na Comissão de Educação do Senado.

Por que isso importa?

Foi a primeira vez que o ministro pode ser questionado pelos erros ocorridos no último Enem.

Weintraub foi convocado para falar sobre as falhas ocorridas no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) de 2019 e no Sisu (Sistema de Seleção Unificada). Houve erros nas notas de cerca de cinco mil alunos que fizeram o Enem e, por conta disso, o governo foi obrigado a adiar as inscrições no Sisu.

  • Ameaçado há meses, o ministro permanece no cargo por sua postura ideológica radical. Assim, diante dos senadores, seguiu esta linha e usou práticas que agradam aos seguidores mais fiéis do presidente Jair Bolsonaro.
  • Weintraub minimizou os transtornos do Enem, que chamou de “probleminhas”, e disse que houve uma “linha extremamente terrorista” para prejudicar a prova. “Terrorismo” é uma palavra bastante usada pelo presidente e seus seguidores, para desacreditar críticas ou oposição.
  • Weintraub não citou nomes nos seus ataques. As referências vagas a uma espécie de inimigo oculto fazem parte da política de paranoia conduzia pelo presidente e por assessores no Palácio do Planalto.
  • O ministro atacou a imprensa, vista como um inimigo por Bolsonaro e os seus. Atacar a imprensa é garantia de agradar à família Bolsonaro e ganhar apoio de seus seguidores nas redes sociais.
  • Weintraub também atacou o PT, algo que faz com frequência e certa virulência. Como se sabe, se há algo capaz de unir bolsonaristas e até descontentes com o governo é falar mal do PT.
  • Ao usar esses artifícios, Weintraub pode ter agradado ao Palácio do Planalto e aos apoiadores mais fieis do presidente. Foi a atuação possível para alguém em uma posição difícil como a sua, com um fracasso em seu teste mais importante e uma gestão marcada mais por manifestações em redes sociais do que por avanços administrativos.
  • Um ponto contra Weintraub é que o Enem de 2019 foi o primeiro no qual os problemas ocorreram por falha de gestão do Ministério da Educação – no caso, erros em correções de provas. Em anos anteriores houve problemas externos, como roubo de provas direto das gráficas, quadrilhas que tentaram fraudar o teste e licitações.

O ministro Abraham Weintraub ainda terá de enfrentar outras convocações. Há um requerimento para que fale no plenário da Câmara, onde o clima é amplamente desfavorável.

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