(Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Política

“Parasita”: frase de Guedes ajuda adversários da reforma administrativa

Ao comparar servidores públicos a parasitas, o ministro da Economia, Paulo Guedes, abriu um flanco para o surgimento de novas dificuldades para a reforma administrativa, que o governo pretende enviar ao Congresso na próxima semana.

Por que isso importa?

A frase deselegante do ministro da Economia, Paulo Guedes, abre espaço para que adversários dificultem mais a tramitação da reforma no Congresso.

Guedes fez a comparação em um evento na Fundação Getúlio Vargas, no Rio, nesta sexta-feira (07/02). Ao mencionar que o governo está sem dinheiro, Guedes disse: “O hospedeiro está morrendo, o cara virou um parasita, o dinheiro não chega no povo e ele quer aumento automático”, disse.

  • A reforma administrativa é tão complicada quanto a reforma tributária. Os servidores públicos contam com um dos mais poderosos lobbies do país, são articulados e têm o apoio de uma bancada superior a 250 deputados, praticamente metade do plenário. É um adversário e tanto.
  • Apesar de os sindicatos brasileiros em geral estarem enfraquecidos pela queda de arrecadação, os de servidores públicos ostentam melhor saúde financeira e têm poder de mobilização.
  • Alterações na vida dos servidores públicos são difíceis porque são categorias que podem parar serviços essenciais, reduzir a arrecadação e gerar até denúncias contra políticos. São, em suma, funcionários que podem produzir grandes estragos a políticos e autoridades, por isso sempre conseguiram evitar perdas maiores.  
  • A fala de Guedes dá um presente à turma que quer radicalizar. Sindicatos têm agora um bom motivo para atiçar os ânimos de seus filiados e fazer pressão sobre parlamentares que terão de examinar e votar o projeto de reforma.
  • Isso não significa que as organizações de servidores destruirão a reforma. Mas poderão derrubar alguns pontos, reduzir o alcance de mudanças em outros ou atrasar a tramitação do projeto.
  • Contratempos assim são piores ainda em um ano eleitoral, no qual o Congresso só vai trabalhar de verdade, no máximo, até junho.
  • A frase de Guedes também abre espaço para o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, sobressair sobre o governo – algo que irrita o presidente Jair Bolsonaro. Maia terá de administrar a potencial confusão que desaguará na Câmara. Poderá fazer, de novo, o papel de moderado na sala.  

Frases de efeito como a desta sexta podem ser aplaudidas em determinados círculos mais radicais, mas são contraproducentes. O ministro Paulo Guedes já cometeu destemperos como essa em várias ocasiões em um ano de governo. Pouco antes de assumir oficialmente o Ministério, Guedes disse numa reunião com empresários que iria “meter a faca no sistema S”. Causou desconforto geral. Um ano depois, o sistema S mantém-se intacto.

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