(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil )
Política

Análise: o custo de o governo carregar três ministros enfraquecidos

O presidente Jair Bolsonaro garantiu nesta quarta-feira (05/02) que o ministro da Secretaria de Comunicação, Fabio Wajngarten, está “firme” no cargo. Com Wajngarten, Bolsonaro mantém três ministros pendurados em seus cargos, sem condições de exercer seus papeis como deveriam.  

Por que isso importa?

O governo Bolsonaro tem três ministros enfraquecidos por denúncias, erros ou por ação do próprio presidente Jair Bolsonaro. Mantê-los nos cargos traz custos políticos à administração.

Além de Wajngarten, os ministros da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e da Educação, Abraham Weintraub, estão sem condições políticas de tocar suas pastas. Carregar ministros abalroados é uma opção do presidente, mas acarreta desgastes ao governo com o Congresso e entre seus aliados.

Abraham Weintraub

  • O Senado aprovou um convite para que o ministro explique as falhas no Enem à Comissão de Educação. É um caminho sem volta. Weintraub pode recusar o convite. Mas, se o fizer, dará condições para o Senado aprovar uma convocação – aí, sim, com presença obrigatória.
  • Já há na Câmara um requerimento para obrigar Weintraub a ir ao plenário da Casa. Com a disposição do Centrão – que não gosta de Weintraub -, o pedido pode ser aprovado com facilidade. Com um comportamento agressivo, Weintraub tem poucas chances de se sair bem quando for questionado pelos parlamentares.
  • O Enem teve problemas graves de gestão, que podem prejudicar a vida de milhares de alunos. Esses erros dão vários caminhos para os parlamentares encurralarem o ministro.
  • As críticas do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, a Weintraub são a senha de que ele sofrerá nas mãos dos deputados. O Centrão, grupo de partidos que reúne cerca de 200 deputados, é opositor a Weintraub desde que ele trocou o presidente do Fundo Nacional pra Desenvolvimento da Educação (FNDE), Rodrigo Dias, indicado pela bancada.   
  • Este ano o governo precisa renovar o Fundeb, um fundo de R$ 55 bilhões que investe em livros didáticos, transporte escolar, merenda, compra de equipamentos e construção de creches. É a paixão de parlamentares, pois investe diretamente na base. Weintraub quer mudar regras do fundo. Hoje, o ministro não tem a mínima condição política para emplacar a proposta do governo. Se permanecer no cargo, nada indica que a situação vá melhorar no futuro.

Fabio Wajngarten

  • A pedido do Ministério Público Federal, a Polícia Federal abriu inquérito para investigar a conduta do ministro. O jornal Folha de São Paulo descobriu que Wajngarten atua nas duas pontas: direciona dinheiro público para emissoras de televisão e agência, enquanto algumas delas são clientes da empresa dele. A agravante é que Wajngarten aumentou o repasse de dinheiro público a estas mesmas emissoras que são suas clientes. Para piorar, Wajgarten omitiu da Comissão de Ética da Presidência informações sobre sua empresa. Isso se chama conflito de interesses.
  • Wajngarten só se mantém no cargo porque ainda serve ao núcleo ideológico do governo, que enxerga a Comunicação oficial como uma forma de combater a “esquerda”.  

Onyx Lorenzoni

  • O ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, garantiu que seu colega Abraham Weintraub segue no Ministério da Educação. A afirmação vale pouquíssimo, dado que o próprio Onyx está sem poder algum em seu cargo. Depois de perder atribuições e um subordinado que nem mesmo havia indicado, Onyx tem dificuldades para coordenar matérias de outros ministérios, como deve fazer a Casa Civil.
  • Ministros da Casa Civil precisam ser fortes: cabe a eles o papel de coordenar as ações entre os outros ministérios, examinar projetos e medidas provisórias para enviar ao Congresso, além de avaliar ações do governo. Desautorizado por Bolsonaro, o ministro Onyx não tem como desempenhar esse trabalho.
  • Esvaziado pelo próprio presidente, Onyx não tem condições também de ajudar o governo no diálogo com o Congresso, o que antes era uma de suas atribuições.

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