(Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Política

Caso Santos Cruz: mensagens falsas criam problemas para núcleo próximo de Bolsonaro

leandro@vortex.media

O general Carlos Alberto dos Santos Cruz está há sete meses fora do Palácio do Planalto, mas a revelação de que são falsas as mensagens que colaboraram para sua demissão podem gerar consequências para o governo.

O próprio Santos Cruz divulgou que a Polícia Federal concluiu que era montagem uma troca de mensagens atribuída a ele quando era ministro da Secretaria de Governo.

Por que isso importa?

O caso tem potencial para trazer dificuldades ao governo porque a Polícia Federal confirma que mensagens foram forjadas para constranger o então ministro. É um prato cheio para adversários do governo na CPMI das Fake News.

O diálogo continha críticas ao presidente Jair Bolsonaro; desde o início, Santos Cruz afirmou que as mensagens eram falsas. Na ocasião, ele era alvo de ataques sistemáticos do escritor Olavo de Carvalho, ideólogo do círculo mais próximo de Bolsonaro, e de Carlos Bolsonaro. O inquérito foi aberto pela PF a pedido do general.

  • A falsificação das mensagens reforça os sinais de que há, dentro do governo, um núcleo dedicado a sabotagens em defesa de determinados interesses. Este núcleo promove ataques digitais a aliados e adversários. A deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), uma ex-aliada, denunciou a turma, chamada informalmente de “gabinete do ódio”.
  • O caso de Santos Cruz é grave porque pode se somar à denúncia de Joice, que foi vítima de outra modalidade de sabotagem, ataques e notícias falsas disseminados em redes sociais. Uma eventual investigação pode levar à comprovação do que disse Joice à CPMI das Fake News: que funcionários dentro do Palácio do Planalto, pagos com dinheiro público, se ocupam de falsificações e ataques a desafetos de Bolsonaro – prática que nada tem a ver com serviço público.
  • O caso é uma oportunidade para a CPMI das Fake News, onde Santos Cruz já depôs como convidado. Qualquer parlamentar pode fazer um requerimento para levar o ex-ministro de volta ou incluir o fato na lista de investigação.
  • O Palácio do Planalto não tem maioria confiável na CPMI, a ponto de ser capaz de derrubar requerimentos incômodos. Após a crise que culminou com a saída de Bolsonaro e os seus do PSL, o governo ficou fragilizado na comissão. Já há entre os requerimentos um bastante perigoso, que pede a convocação de Carlos Bolsonaro para depor.
  • A divulgação da perícia feita pelo Polícia Federal pode piorar ainda mais a relação entre Bolsonaro e o ministro da Justiça, Sérgio Moro. Um dos pilares da disputa é o ímpeto de Bolsonaro de controlar mais a PF – o presidente já tentou nomear um superintendente e derrubar o diretor-geral. Não conseguiu. A saída mais recente foi tentar tirar a PF das mãos de Moro, com a recriação do Ministério da Segurança Pública. O trabalho pode levar Bolsonaro a nova investida contra Moro.

Antes um amigo de longa data de Bolsonaro, Santos Cruz é visto hoje pelos aliados mais ferrenhos do presidente como um inimigo. O ex-ministro tem atuado como um aspirante a candidato em 2022: está ativo no Twitter, procura dar entrevistas, divulga seus passos internacionais e critica posturas radicais de integrantes do governo.

Newsletter

Reportagens exclusivas e as notícias mais quentes na sua caixa de e-mail.

Valorizamos sua privacidade. Nunca enviaremos spam ou compartilharemos suas informações com terceiros.

Assine

O novo modo de fazer jornalismo de que o novo Brasil precisa.

Apoie o nosso jornalismo para que possamos ajudar a elevar a democracia.
Assine Vortex