Foto: Agência Brasil ()
Política

Pesquisas dizem pouco sobre 2022 e favorecem intrigas contra Moro

As recentes pesquisas de opinião que envolvem o ministro da Justiça, Sérgio Moro, mostram que os brasileiros confiam mais nele que no presidente Jair Bolsonaro, que ele é mais bem avaliado que Bolsonaro no exercício da função e que seria um candidato a presidente competitivo em 2022. Na política, esses resultados dizem pouco sobre a próxima eleição; servem mesmo para alimentar intrigas no governo.

Por que isso importa?

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, é um dos mais importantes do governo, mas o presidente Jair Bolsonaro e seu entorno o enxergam como uma ameaça. Pesquisas favoráveis a Moro alimentam essa tensão.

A mais recente pesquisa, feita pelo Datafolha e divulgada no domingo (05/12), mostra que Moro é a figura pública na qual os brasileiros mais confiam. Entre os entrevistados, 33% disseram ter alta confiança em Moro. Ele ficou à frente do ex-presidente Lula, que atingiu 30% e do presidente Jair Bolsonaro com 22%.

  • A três anos da próxima eleição presidencial, pesquisas do tipo pouco significam do ponto de vista eleitoral. O prazo é muito longo. Os eleitores não decidem seus votos com tamanha antecedência; ao contrário, a maioria decide perto do dia da votação. Assim, na dinâmica da política brasileira, três anos é uma eternidade.
  • Moro é bem avaliado nas pesquisas mais pela memória de seu trabalho como juiz na Operação Lava Jato, do que por sua atuação como ministro. A Lava Jato está na memória recente dos brasileiros. Nada indica que estará também em 2022.
  • Pesquisas assim servem de recurso para assessores próximos alimentarem intrigas com Bolsonaro. É da dinâmica dos palácios, do entorno do poder: áulicos que rodeiam presidentes vivem de fazer elogios e alertar para ameaças e possíveis adversários – ainda que eles eventualmente não existam.
  • Pesquisas do tipo incomodam o presidente Jair Bolsonaro porque Moro sempre foi mais popular. Por isso, em diversas ocasiões, o presidente aproveitou para impor desgastes públicos ao ministro da Justiça. Na mais recente, Bolsonaro negou ter compromisso de indicar o ministro a uma vaga no Supremo Tribunal Federal. É uma regra da política: ministro não pode ser maior que presidente.
  • Os resultados dessas pesquisas ficam mais discrepantes porque Bolsonaro terminou 2019 com a pior avaliação de um presidente ao final do primeiro ano do mandato desde José Sarney. De acordo com o Datafolha, Bolsonaro teve 36% de ruim ou péssimo. Em geral, o primeiro é o melhor ano dos presidentes.
  • A corrupção é um ponto importante: Moro ainda é visto por muitos brasileiros como símbolo do combate à roubalheira, um derivativo da Lava Jato. Essa era uma das bandeiras de Bolsonaro na campanha eleitoral. Mas a imagem do presidente na área foi arranhada pelo caso Queiroz, que levou à investigação de um dos filhos do presidente, o senador Flávio Bolsonaro, suspeito de lavagem de dinheiro.    

Bolsonaro e seu entorno cultivam a paranoia como forma de fazer política. O vice-presidente Hamilton Mourão foi a primeira vítima desse sistema que enxerga ameaças até nos mais próximos: sofreu ataques e se recolheu. Moro, por sua popularidade, está sempre nesse radar.

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