(Alan Santos/PR)
Política

Crise no Oriente Médio desperta ameaça de greve dos caminhoneiros

O ataque dos Estados Unidos que matou o general iraniano Quassem Suleimani, em Bagdá, coloca o governo Jair Bolsonaro dentro de sua primeira crise internacional grave. A dificuldade mais imediata para o governo é a possibilidade de uma greve dos caminhoneiros, devido ao provável aumento no preço dos petróleo e dos combustíveis.

Por que isso importa?

A crise entre Estados Unidos e Irã vai testar a capacidade de o governo Jair Bolsonaro de lidar com alguns problemas que devem surgir. A principal ameaça é uma greve de caminhoneiros, por causa do aumento do preço dos combustíveis.

  • A primeira consequência é a elevação dos preços do petróleo, que afetará o preço dos combustíveis no Brasil. Os combustíveis não só têm impacto direto no bolso de motoristas, mas influenciam toda a cadeia produtiva. Portanto, haverá impacto na inflação.  
  • Aumentos batem rapidamente no bolso dos brasileiros, o que pode afetar também seu humor em relação ao governo. Para um presidente recordista de desaprovação como Bolsonaro, a preocupação é maior.
  • Inflação em alta significa que o Banco Central pode encerrar o ciclo de queda dos juros, que estão no mais baixo nível da história.
  • Petróleo mais caro significa também ameaça ao crescimento econômico. As previsões de crescimento do PIB em torno de 2% para 2020 podem ter de ser refeitas mais cedo que o esperado.
  • Uma alta nos combustíveis desperta no Palácio do Planalto o temor de uma greve dos caminhoneiros. A paralisação de maio de 2018 abortou o crescimento do PIB que se ensaiava naquele ano. A categoria sabe que intimida o governo, por isso se mobiliza contra reajustes no preço do diesel.
  • O governo Bolsonaro não tem uma política definida para lidar com os caminhoneiros. No ano passado, Bolsonaro desautorizou um reajuste dos diesel já autorizado pela Petrobras, para debelar uma ameaça de greve. Mas nenhuma regra definitiva foi estabelecida.
  • Paliativos são difíceis. Evitar um reajuste do diesel significa aumentar mais a gasolina para compensar o custo da Petrobras – a consequência é desagradar milhões de motoristas, que passa a subsidiar caminhoneiros e donos de veículos grandes, como caminhonetes e SUVs. A alternativa do governo Dilma era congelar os preços – o que quebrou a Petrobras e aumentou a dívida pública.

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