(Antonio Cruz/Agência Brasil)
Política

Fundo eleitoral: Bolsonaro usa impeachment para cativar eleitorado fiel

Ao repetir nesta terça-feira (02/01) que deve sancionar o valor do fundo eleitoral deste ano em R$ 2 bilhões, o presidente Jair Bolsonaro fez apenas uma jogada política para agradar seu eleitorado mais fiel. 

Para justificar o ato, Bolsonaro voltou a dizer que enxerga o risco de sofrer um processo de impeachment caso vete o valor aprovado pelo Congresso em dezembro. Assim, joga a culpa da medida em deputados e senadores.

  • A questão do valor é cortina de fumaça. Foi o próprio governo quem sugeriu em novembro o valor de R$ 2 bilhões para o Fundo Especial de Financiamento de Campanhas, chamado de fundo eleitoral, na proposta orçamentária enviada ao Congresso. E era uma correção. Na proposta original, de setembro, o governo sugerira um valor maior: R$ 2,5 bilhões. Assim, ao confirmar os R$ 2 bilhões, Bolsonaro apenas confirma o valor que seu governo sugeriu.
  • Ao dar declarações que sugerem que é forçado a concordar com os R$ 2 bilhões, Bolsonaro sabe que ganha pontos com os eleitores. A maioria não conhece detalhes da tramitação do orçamento, portanto não sabe que foi o governo quem sugeriu este valor.
  • Além disso, o presidente sabe que a maioria dos eleitores desaprova o gasto com as eleições. Falar publicamente contra a despesa, portanto, pode acarretar apoio a Bolsonaro, que amarga os piores índices de aprovação de um presidente desde Fernando Collor.
  • Ao citar a possibilidade de impeachment, Bolsonaro comete um claro exagero. Mas a imagem tem um objetivo: coloca-o na posição de uma possível vítima dos políticos. O fato de a maioria dos partidos ter tentado elevar o fundo para R$ 3,8 bilhões ajuda o presidente na empreitada.
  • A possibilidade de impeachment é um fantasma cultivado por Bolsonaro. É sabido que o presidente tem esta paranoia, como também é sabido que seus mais fieis eleitores acreditam em teorias da conspiração deste tipo. Assim, citar esta a possibilidade é não apenas uma manobra para justificar uma medida impopular, como uma maneira de mobilizar seguidores em seu favor, em especial nas redes sociais.
  • Por fim, os argumentos usados pelo presidente jogam a responsabilidade pelo fundo eleitoral para o Congresso, em um mês em que os parlamentares estão desmobilizados, de férias. Pode não acontecer nada já. Contudo, a atitude não contribui para a relação entre o Planalto e o Congresso, que não é boa.

Do ponto de vista político, a questão do fundo eleitoral é simples. Como está sem partido, Bolsonaro e seu grupo não têm vantagem alguma em aumentar o fundo eleitoral. Seu partido, o Aliança para o Brasil, está em formação e não receberá nenhum real deste dinheiro. Pelos critérios da lei, a maior parte do valor irá para os partidos de maior bancada – que, por coincidência, são os que Bolsonaro tem pior relacionamentoção: o PSL, seu ex-partido, de onde saiu após uma disputa por poder, e o PT, que o presidente considera um inimigo.

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