(Foto: Agência Senado/ Moreira Mariz)
Política

Caso Queiroz: situação de Flávio Bolsonaro fragiliza o presidente e o governo

A investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro sobre um esquema de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro que envolve até milicianos fragiliza o senador Flávio Bolsonaro e o deixa na dependência do Supremo Tribunal Federal. O caso traz dificuldades também para seu pai, o presidente Jair Bolsonaro.

Na quarta-feira (18/12), o MP liderou uma operação de busca e apreensão que envolveu uma loja de Flávio e endereços de diversos de seus ex-assessores na Assembleia Legislativa do Rio, em especial o ex-policial Fabrício Queiroz. Os promotores reuniram indícios de que Queiroz recolhia parte dos salários dos assessores e repassava o dinheiro a Flávio. Há indícios de que os recursos eram lavados em empresas de milicianos que Flávio homenageou e em uma loja de chocolates dele.  

  • Em primeiro lugar: ao contrário do que diz o presidente Jair Bolsonaro, é impossível dissociá-lo dos filhos. Bolsonaro colocou os filhos na política e os comanda, tanto que vários de seus ex-assessores trabalham para os filhos. O ex-policial Fabrício Queiroz, pivô da investigação que atinge Flávio, é o mais visível deles. O que afeta o senador Flávio, portanto, afeta o presidente.  
  • Assim como o pai, Flávio Bolsonaro ostentou a bandeira do combate à corrupção em suas campanhas. A suspeita de que em seu gabinete funcionava uma organização criminosa que desviava recursos públicos, lavava dinheiro e mantinha proximidade com milícias abala essa imagem.
  • A defesa do senador encaminhou um pedido de habeas corpus ao STF. Em duas ocasiões este ano, os ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes concederam liminares que favoreceram Flávio Bolsonaro, ao travar a investigação por cinco meses. O mesmo pode se dar agora. Mas a manobra deixa tanto o senador, quanto o presidente Jair Bolsonaro devedores do Supremo.
  • Não é uma posição confortável para quem, no início do mandato, adotou postura hostil ao Supremo. O irmão de Flávio, deputado Eduardo Bolsonaro, chegou a falar em fechar o tribunal; o presidente teve de se desculpar por publicar um vídeo que o Supremo aparecia na figura de uma hiena. Agora, Flávio é depende do tribunal.
  • O Senado entra em recesso e só voltará a trabalhar em fevereiro, mas é óbvio que Flávio Bolsonaro terá de se dedicar mais a se defender que a atuar como senador nos próximos meses. Foi assim em 2019, por causa do começo da investigação, e tudo indica que será assim por mais tempo. Será difícil para o senador assumir relatorias de projetos de destaque ou mesmo atuar em comissões – em resumo, terá menos poder, inclusive para defender o governo do pai.
  • Flávio Bolsonaro será vice-presidente do Aliança para o Brasil, partido que o presidente está criando para si e para os filhos. Será fácil para adversários ligar o novo partido às milícias e à corrupção. Políticos que têm sido convidados a ingressar na sigla vão pesar isso.
  • Algumas denominações evangélicas se dispuseram a captar assinaturas para a criação do Aliança. A divulgação das suspeitas que pairam sobre Flávio Bolsonaro pode, no mínimo, atrasar o início desse trabalho de busca de apoios.

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