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Política

Caso Queiroz: os pontos que podem afetar Bolsonaro

O Ministério Público do Rio de Janeiro comanda nesta quarta-feira (18/12) uma operação de busca e apreensão que pode criar incômodos para o presidente Jair Bolsonaro nos próximos meses. Os investigadores buscam provas em endereços de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente, na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), e em uma loja do próprio senador. 

Por que isso importa?

A retomada da investigação sobre Fabrício Queiroz abala a imagem de combate à corrupção ostentada pelo presidente Jair Bolsonaro. As revelações do caso podem abastecer a oposição e dificultar a vida do governo no Congresso em 2020.

Ex-policial e amigo do presidente, Queiroz é investigado há mais de um ano suspeito de comandar um esquema de rachadinha no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj. Trata-se de um sistema tosco de corrupção, comum em Câmaras e Assembleias, pelo qual o político contrata assessores, que são obrigados a lhe devolver parte do salário. Dados do Coaf mostram que Queiroz movimentou R$ 1,2 milhão em um curto período, um valor muito acima de sua capacidade financeira.

Os investigadores buscam provas também em endereços de vários outros ex-assessores de Flávio Bolsonaro, inclusive parentes de uma ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro.

A operação pode acirrar ataques do presidente Jair Bolsonaro ao governador do Rio, Wilson Witzel. Desde as suspeitas em torno da investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco, Bolsonaro afirma que Witzel manipula a polícia e o Ministério Público do Rio contra ele por motivos políticos.

Os pontos que afetam o presidente Jair Bolsonaro:

  • Antes de ser assessor de Flávio Bolsonaro na Alerj, Queiroz é amigo do presidente. Não há como mantê-lo publicamente apenas como mero ex-assessor do filho.
  • O senador Flávio Bolsonaro será o vice-presidente do Aliança pelo Brasil, partido que o presidente Jair Bolsonaro está criando para si e para os filhos. Com a retomada da investigação, o Aliança nascerá em 2020 já com o caso Queiroz no colo. Será mais difícil ostentar a bandeira do combate à corrupção. Políticos que forem convidados a entrar para o partido avaliarão isso.
  • O caso Queiroz prejudicou o primeiro ano de mandato de Flávio Bolsonaro como senador. A operação tem potencial para estragar o segundo também.
  • A volta da investigação aproxima um caso de corrupção do presidente. Bolsonaro apresentou-se na campanha eleitoral como um político incomum, que nunca tinha sido alvo de denúncias. Queiroz questiona essa imagem.
  • A operação dá força para Queiroz incomodar o presidente e sua família por mais algum tempo. Há meses, ele deixou vazar áudios nos quais reclamava de estar abandonado, que a investigação era perigosa e nos quais falava sobre cargos no governo. É uma jogada conhecida no submundo da política, de mostrar força para obter vantagens.
  • A operação de hoje atinge não apenas Queiroz, mas diversos assessores de Flávio e até parentes de uma das ex-mulheres do presidente, empregados por Queiroz. Isso significa que mais pessoas podem depor, o que aumenta a chance de mais denúncias.
  • Queiroz depositou R$ 24 mil na conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro em 2016, de acordo com dados do Coaf. O presidente disse que foi o pagamento de um empréstimo de R$ 40 mil. Este depósito não está sob investigação, mas mantém uma dúvida em aberto.

A investigação contra Queiroz ficou parada por cinco meses devido a duas limiares concedidas pelos ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, a pedido da defesa de Flávio Bolsonaro. Voltou a andar depois que o Supremo decidiu sobre regras de compartilhamento de dados do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

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