(Antonio Cruz/Agência Brasil)
Política

Fundo eleitoral: Bolsonaro só tinha a perder, nada a ganhar

Deputados tiveram de recuar da ideia de aumentar o fundo eleitoral para R$ 3,8 bilhões para a eleição municipal do ano que vem, porque o presidente Jair Bolsonaro não tinha nenhum interesse político na medida.

Por que isso importa?

O fundo eleitoral é dinheiro público usado para custear as despesas dos partidos nas eleições. Desde que as contribuições privadas foram proibidas, é a única forma de os partidos bancarem suas despesas. O veto de Bolsonaro é, antes de tudo, uma decisão de estratégia política contra adversários.

Cientes que Bolsonaro vetaria o aumento da despesa – e ganharia popularidade com sua ajuda – os parlamentares recuaram. O fundo deve crescer dos R$ 1,7 bilhão de 2018 para R$ 2 bilhões no ano que vem. O valor deve ser oficializado na votação do Orçamento Geral da União, marcada para esta terça-feira (17/12).

  • Bolsonaro toma muitas decisões de olho em seus apoiadores – e esses, como a maioria esmagadora dos eleitores, estavam contra o aumento do fundo eleitoral. Bolsonaro foi eleito como alguém “de fora da política”, e medidas deste tipo reforçam essa imagem.
  • Há outras questões práticas. Pela lei, o aumento do fundo partidário beneficiaria diretamente o PSL e o PT: são os partidos com as maiores bancadas, portanto com direito à maior fatia do dinheiro. São estes justamente os partidos que Bolsonaro menos gostaria de ajudar.
  • Bolsonaro acaba de deixar o PSL, após uma disputa agressiva com o presidente da sigla, Luciano Bivar. Está levando consigo os deputados que o apoiam. Não tem, portanto, nenhum interesse em ajudar a dar mais dinheiro ao partido, muito pelo contrário.
  • O PT dispensa maiores explicações: ao colaborar para aumentar o fundo partidário, Bolsonaro estaria ajudando seu maior adversário, a quem trata como inimigo. Com mais dinheiro, apesar de depauperado politicamente, o PT teria mais força para disputar prefeituras.
  • Ademais, o Aliança para o Brasil, partido que Bolsonaro e seus filhos estão criando, não seria beneficiado pela medida. Mesmo que consiga ser formado a tempo de disputar a eleição municipal – algo muito improvável – o Aliança não teria direito ao dinheiro, pois o valor está atrelado às bancadas eleitas em 2018.

Concordar com o aumento do fundo partidário seria, para Bolsonaro, uma medida que traria impopularidade, abasteceria adversários e não agregaria nada a seu projeto político pessoal. Com tudo isso na mesa, o presidente optou por não agradar ao Congresso.

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