(Jefferson Rudy/Agência Senado)
Política

Em simulado para jovens no Senado, eleição tem voto a menos e confusão

larissa@vortex.media

Na semana passada, especificamente na terça-feira (26/11), 27 estudantes participantes do projeto educacional Jovem Senador “tomaram posse” no Senado, em Brasília. Como acontece desde 2008, eles deveriam vivenciar a rotina dos senadores por alguns dias. E assim foi.

Na eleição para escolher entre eles o presidente do Senado e os integrantes da Mesa Diretora, os jovens repetiram a realidade. Houve confusão na contagem de votos nas urnas, contestação do resultado, alguma barulheira na galeria e recontagem de votos – exatamente como na eleição oficial em fevereiro, quando foi escolhido o atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP). Na ocasião, foram contabilizados 82 votos para uma Casa com 81 senadores. Nunca uma legislatura do programa simulou tão bem a realidade.   

Por que isso importa?

O programa Jovem Senador incentiva jovens a participarem da vida políticae proporciona o contato com a realidade do parlamento.

Os jovens senadores tiveram de colocar os votos em papel nas urnas de madeira. Abertas as urnas, a Secretaria Geral da Mesa – a real, com os servidores do Senado, que acompanhou a eleição simulada –apurou 26 votos, mesmo sendo 27 os votantes.

A confusão se instalou quando os pais de uma das senadoras excluída da Mesa Diretora por conta do voto a menos, reclamaram e pediram uma recontagem.

Herivelto Ferreira, responsável pelo programa Jovem Senador, disse que a apuração final da eleição mostrou que havia de fato 27 votos na urna e que um deles não foi lido em voz alta – o que levou à confusão. “O assunto foi levantado pelos representantes do Rio Grande do Sul, mas a jovem senadora do estado, na verdade, ficou fora da Mesa por ser a mais nova entre os três que empataram em último lugar, e não por falta de votos contabilizados”, disse. A idade era critério de desempate.

Vortex procurou a jovem senadora do Rio Grande do Sul, Isabela Pradebom da Silva, que disse não ter interesse em comentar o assunto e negou qualquer mágoa com a eleição. Laila Cristina de Paiva Soares, jovem senadora do Rio Grande do Norte, eleita presidente da Mesa Diretora, disse que o episódio não afetou o trabalho dos estudantes no Senado. “A eleição foi totalmente justa e muitos viram e aprovaram isso. Não teve intriga em relação a eleição, todos aceitaram numa boa o resultado e me deram bastante apoio”, afirmou.

O Senado informou que tudo não passou de um mal-entendido. “A sessão do dia 26 de novembro, destinada à posse e eleição da Mesa do Programa Jovem Senador 2019, foi acompanhada pela Mesa Diretora do Senado. A jovem senadora que auxiliava os trabalhos de apuração da eleição efetuou a leitura equivocada dos votos constantes das cédulas, deixando de contabilizar um dos votos.  A SGM acompanhou todo o processo, verificou e contabilizou os 27 votos. Portanto, o que houve foi apenas um equívoco de leitura e não de contagem dos votos”, afirmou a comunicação da Casa, em nota.

O programa Jovem Senador seleciona adolescentes, entre 15 e 19 anos, de escolas públicas, por meio de um concurso de redação. Os vencedores passam alguns dias em Brasília simulando a vida de senador: apresentam ideias para projetos de lei, participam de debates políticos, simulam votações e aprendem mais sobre a Constituição.

No dia 2 de fevereiro, quando Davi Alcolumbre foi eleito presidente do Senado, a votação precisou ser repetida por suspeita de fraude. Naquela ocasião, ao invés de faltar voto, sobrou. A apuração da SGM contabilizou 82 votos, mesmo havendo apenas 81 parlamentares no Senado Federal. Segundo a secretaria, em um dos envelopes que os senadores colocavam seus votos existiam duas cédulas ao invés de apenas uma. À época, as cédulas dessa votação foram destruídas e uma nova eleição realizada, elegendo Alcolumbre para o cargo durante o biênio 2019/2020.

Box de transparência

Transparência jovem

Vortex conversou com três servidores que estavam no momento da eleição da Mesa Diretora dos jovens senadores, ouviu dois estudantes que participaram do programa, além do organizador do projeto. Entrevistou a presidente eleita e procurou a estudante que teria sido prejudicada e o Senado Federal.

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