(Foto: Leon Brooks/Wikimedia Commons)
Política

GSI estuda plano de segurança para tecnologia 5G

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Um grupo de trabalho, liderado pelo Gabinete de Segurança Institucional, vai publicar portaria com normas para garantir a proteção dos dados quando o Brasil adotar a tecnologia 5G. O país está em meio a uma disputa entre Estados Unidos e China pelo fornecimento da tecnologia.

  • O grupo, subordinado ao GSI, trabalha em conjunto com técnicos da Anatel e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), para estabelecer requisitos de segurança da informação e aplicação do 5G para o leilão que deve acontecer até o fim de 2020.
  • Participam do grupo de debates representantes dos ministérios da Defesa, das Relações Exteriores e da Ciência e Tecnologia.

“A vulnerabilidade da rede 5G é tão grande, que exige uma segurança de Estado. Aquilo que era um problema dos cidadãos, das empresas, com o 5G, torna-se um problema de segurança nacional”, afirmou ao Vortex o diretor do Departamento de Segurança da Informação (DSI), general Antonio Carlos de Oliveira Freitas. “Não podemos depender de qualquer decisão política para estabelecer normas básicas de segurança”, completou.

Freitas afirma que, na área de segurança cibernética para a rede 5G, a meta é conciliar a velocidade do novo sistema com a garantia de proteção de informações. Segundo ele, a tendência “é seguir o rumo da União Europeia, especialmente do Reino Unido”. “Lá, eles estabeleceram uma série de requisitos de segurança e criaram um centro de controle. Aqui também vamos precisar de certificação e acompanhamento”.

Apesar de os Estados Unidos estarem na disputa para que o Brasil adote seu modelo de 5G, Freitas afirma que dificilmente o país vai conseguir abrir mão da tecnologia chinesa. “No 4G, os chineses já estão operando no Brasil todo”, diz. “Todas as empresas usam algum componente chinês. Nenhuma tem domínio absoluto de todo o hardware, nenhuma produz todos os equipamentos, todos usam algum equipamento chinês”, completa.

Em julho, o governo britânico concluiu uma revisão da cadeia de suprimentos de telecomunicações no Reino Unido. O estudo aponta que é improvável que o nível atual de mecanismos de proteção adotados pelo setor “seja adequado para lidar com os riscos de segurança identificados e proporcionar os resultados de segurança desejados”, segundo Jeremy Wright, secretário de Estado para assuntos Digitais, Cultura, Mídia e Esporte.

O estudo sugere a adoção de uma nova estrutura de segurança para o setor de telecomunicações, em um “regime muito mais forte e baseado em segurança do que atualmente”. As mudanças serão introduzidas por meio de uma nova legislação, que dará mais poderes à Ofcom – equivalente britânico da Anatel – para garantir a aplicação efetiva dos requisitos de segurança. Até o momento, Londres não confirmou qual postura adotará diante da tecnologia chinesa.

  • Sob o governo Trump, os Estados Unidos advogam contra a presença da Huawei – gigante chinesa de tecnologia – no futuro das telecomunicações.
  • Legisladores e autoridades de inteligência alegaram que a empresa poderia ser explorada pelo governo chinês para espionagem, apresentando um risco potencialmente grave à segurança nacional, especialmente quando os EUA construirem sua rede 5G
  • Para enfrentar essa ameaça, o governo americano colocou a empresa na “lista negra” para negociações com companhias dos Estados Unidos.

A União Europeia possui reservas quanto à participação chinesa na tecnologia 5G de outros países. O governo da China nega veementemente as alegações feitas pelos ocidentais. “Estou convicto de que a comunidade brasileira compreende, de maneira objetiva e racional, a difamação maliciosa e as intenções desprezíveis dos Estados Unidos contra a tecnologia 5G da China e a Huawei. O Brasil fará a escolha certa na questão de cooperação comercial do 5G com empresas chinesas que atendem os próprios interesses do desenvolvimento do Brasil”, disse Yang Wanming, embaixador da China no Brasil em discurso recente na Câmara.

Box de transparência

Documentos internacionais

Vortex ouviu o general responsável por segurança da informação do GSI, duas fontes diplomáticas com conhecimento direto do assunto e analisou documentos públicos do governo britânico sobre a tecnologia de telecomunicações.

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