(Foto: Pedro França/Agência Senado)
Política

PSL demite funcionários contratados a pedido dos Bolsonaro

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O PSL começou a demitir apadrinhados do presidente Jair Bolsonaro e de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, que ocupavam cargos na estrutura do partido no Rio de Janeiro e em Brasília. Todos foram contratados no ano passado, quando a família se filiou ao partido para a eleição presidencial.  

Por que isso importa?

A contratação dos afilhados políticos contradiz o discurso do presidente Jair Bolsonaro de que não sabia ou não era consultado sobre algumas decisões importantes dentro do partido. Também mostra que mesmo assessores investigados pelo Ministério Público e alvo de quebra de sigilo continuaram a ser remunerados com dinheiro público.

Um dos motivos alegados por Bolsonaro para deixar o PSL e criar o Aliança pelo Brasil foi a falta de transparência nos gastos do partido. Os gastos do PSL, no entanto, incluíam os salários dos indicados pelos Bolsonaro.

O único assessor que ainda não foi demitido é Érico Felipe de Mello e Costa, assessor da família Bolsonaro na Câmara dos Deputados durante 14 anos. Costa trabalhou com o presidente e, depois, com o deputado Eduardo Bolsonaro. Em outubro, Vortex revelou que ele foi pago com recursos do caixa oculto da campanha presidencial por trabalhos de comunicação, como disparos de mensagens WhatsApp.

Costa recebia um salário que variou entre R$ 9 mil e R$ 12 mil mensais. No total, recebeu R$ 102 mil do partido este ano.  

  • Valdenice Meliga, ex-assessora do gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e sua funcionária de confiança, a ponto de assinar informações sobre a prestação de contas de sua campanha para o Senado. Estava abrigada na Executiva Nacional do PSL. Ela é irmã de Alan e Alex Rodrigues de Oliveira, presos em 2018 em uma operação do Ministério Público que investigou a atuação de uma milícia. 
  • Valdenice Meliga foi admitida no PSL em março como assistente administrativa, recebendo salário-base de R$ 8,4 mil. Em seu primeiro mês de trabalho, ganhou uma gratificação equivalente a 100% de seus vencimentos e, extraídos os descontos, seu primeiro salário foi de R$ 12,6 mil. Ao todo, desde abril, ela já recebeu R$ 51 mil.
  • Outra afilhada dos Bolsonaro abrigado no PSL é Alessandra Oliveira, proprietária da Ale Soluções e Eventos Ltda. A empresa foi responsável pela prestação de contas de 42 candidatos do PSL no RJ em 2018. Ela também trabalhou como assessora de Flávio na Alerj e foi tesoureira da campanha ao Senado em 2018. No PSL, Oliveira trabalha como tesoureira e contadora e recebe salário-base de R$ 3,5 mil. Como Meliga, ela também recebeu gratificação de 100% sobre os vencimentos. Excluindo-se os descontos, Alessandra Oliveira recebeu no primeiro mês R$ 10,6 mil. Até setembro, o PSL pagou R$ 43 mil à tesoureira.
  • Alessandra Oliveira e Valdenice Meliga foram alvo de quebra de sigilo bancário a pedido do Ministério Público do Rio, na investigação que apura o pagamento de “rachadinhas” no gabinete de Flávio Bolsonaro envolvendo Fabrício Queiroz, outro ex-assessor.
  • Além de Valdenice e Alessandra, também tinham empregos na Executiva, a pedido de Flávio, Ivanilde Braga Marinho e Lídia Cristina do Santos Cunha. 
  • À exceção de Érico Costa, todos os cinco aliados da família integraram a direção do PSL no Rio de Janeiro, que foi presidido no estado por Flávio Bolsonaro. 

“Esses nomes o Flávio abrigou sem consultar aos demais membros da executiva”, afirmou o vice-presidente nacional da sigla, o deputado federal Júnior Bozzella (PSL-SP).

Outro assessor, Waldir Ferraz, entrou na folha de pagamento do PSL por indicação do presidente Jair Bolsonaro. Ex-militar, ele é conhecido por ser o auxiliar mais longevo do presidente da República, com quem começou a trabalhar em novembro de 1990, ainda na Câmara dos Vereadores do Rio. 

Membros do partido afirmam que Bolsonaro pressionou o então presidente da sigla, Gustavo Bebianno, a contratar Waldir Ferraz. Segundo esses integrantes do PSL, Bebianno barrou a contratação do amigo do presidente por falta de competência técnica. 

Na época, segundo essas fontes, Bebianno utilizou-se da falta de definição sobre a forma de contratação de Ferraz, se o faria por meio de carteira assinada ou por pessoa jurídica, para conseguir ganhar tempo e não efetivá-lo. Porém, o presidente insistiu que queria ajudar o amigo com a contratação, conforme dois integrantes do partido ouvidos por Vortex.

Box de transparência

Na lista de pagamento

Vortex consultou notas fiscais e pagamentos a funcionários da executiva nacional do PSL. Cruzou informações sobre os afilhados políticos da família Bolsonaro e conversou com quatro membros da Executiva Nacional do partido. O presidente e o senador foram procurados, mas preferiram não se manifestar a respeito.

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