(Foto: Isac Nóbrega/PR)
Política

Aliança: PSL planeja suspender deputados bolsonaristas para tomar cargos

wilson@vortex.media

O PSL pretende suspender, ainda esta semana, os deputados que estejam diretamente ligados à criação do Aliança para o Brasil, futuro partido do presidente Jair Bolsonaro.

Por que isso importa?

A medida, se aplicada, pode tirar muito poder dos deputados ligados ao presidente Jair Bolsonaro. Isso pode acarretar problemas para o governo em alguns temas, como a CPMI das Fake News.

A intenção da ala adversária, ligada ao presidente do PSL, Luciano Bivar, é tirar poder dos bolsonaristas, tomar o espaço ocupado por eles em comissões e retomar cargos na Câmara. Suspensos, os parlamentares perdem o direito de representar o PSL em comissões na Câmara, liderar bancadas ou participar de decisões internas.

  • O principal objetivo dos bivaristas é tirar o deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, da presidência da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN)
  • Pretendem também remanejar parlamentares bolsonaristas que hoje fazem parte da CMPI das Fake News, uma preocupação do Palácio do Planalto
  • Querem ainda retomar o controle de 116 cargos em comissão, diretamente ligados à liderança da sigla na Câmara
  • A reunião do conselho de ética do PSL – criado só no mês passado, quando a crise dominava a legenda – está marcada para quarta-feira (27/11). Existem 55 procedimentos disciplinares instaurados contra os 19 deputados ligados ao presidente Jair Bolsonaro. A justificativa para as punições é que esses deputados atuaram contra o partido.
  • A expectativa é que a suspensão seja aplicada a até dez parlamentares, entre eles Eduardo Bolsonaro (SP), Filipe Barros (PR), Bibo Nunes (RS), Bia Kicis (DF), Caroline de Toni (SC) e Carla Zambelli (SP), considerados os maiores incentivadores do partido. Isso seria o suficiente para que a ala bivarista retomasse o controle do PSL na Câmara.

A manobra do PSL é uma forma de enfraquecer os bolsonaristas. Apesar de envolvidos na criação do Aliança, que levará meses, os deputados ligados a Bolsonaro não podem deixar o PSL, sob risco de perderem seus mandatos. Assim, estão à mercê dos adversários.

A tendência é que a ala ligada ao presidente do partido, deputado Luciano Bivar, tire Eduardo Bolsonaro do cargo de líder do partido na Casa em dezembro. Os nomes mais cotados para subatitui-lo são a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) e do deputado Felício Laterça (PSL-RJ).

Uma alternativa é que, mesmo após a suspensão desses deputados, Eduardo seja mantido líder do partido até fevereiro e somente aí é que integrantes do partido fariam as mudanças necessárias.

A disputa dentro do PSL se arrasta há meses. O presidente Jair Bolsonaro deixou o partido e decidiu criar o Aliança após desentendimentos com Luciano Bivar, dono do PSL desde 1998. Bolsonaro e seus aliados queriam que Bivar aceitasse dividir o poder interno, inclusive sobre o destino do fundo partidário de mais de R$ 100 milhões.

Box de transparência

PSL em litígio

Vortex conversou com três fontes ligadas diretamente ao processo instaurado contra os deputados rebeldes no Conselho de Ética do partido.

Newsletter

Reportagens exclusivas e as notícias mais quentes na sua caixa de e-mail.

Valorizamos sua privacidade. Nunca enviaremos spam ou compartilharemos suas informações com terceiros.

Assine

O novo modo de fazer jornalismo de que o novo Brasil precisa.

Apoie o nosso jornalismo para que possamos ajudar a elevar a democracia.
Assine Vortex