(Tânia Rêgo/ Agência Brasil)
Política

Resultado fraco do leilão do pré-sal afeta pouco perspectiva favorável na economia

leandro@vortex.media

O resultado do leilão de concessão das áreas do pré-sal nesta quarta-feira (06/11) ficou abaixo do esperado, mas não estragou a perspectiva favorável na área econômica neste momento.

A arrecadação de R$ 70 bilhões ficou abaixo dos R$ 106 bilhões propalados de início. O desinteresse por duas áreas ofertadas mostrou que o governo cometeu erros. Contudo, outros fatores no cenário justificam certo otimismo do mercado com a economia:

  • Contas públicas – os R$ 70 bilhões arrecadados são suficientes para reduzir o déficit fiscal para algo em torno de R$ 90 bilhões, o que o coloca abaixo da meta de R$ 139 bilhões previstas na lei orçamentária. Em resumo, essa receita extraordinária serve para o governo fechar as contas do ano.
  • Reforma da Previdência – a recente aprovação da matéria, mesmo sem o empenho do presidente Jair Bolsonaro, deu fôlego ao governo na administração das contas públicas. Serviu também para limpar o caminho para investidores, já que o país se afastou do abismo financeiro que se avizinhava  
  • Juros baixos – a taxa básica de juros está em 5% ao ano e é considerável a chance de um novo corte na próxima reunião do Copom, em dezembro. Alterações na taxa de juros levam cerca de seis meses para produzir efeitos, mas a mudança injeta otimismo entre os agentes econômicos
  • Programa Mais Brasil – o conjunto de três Propostas de Emenda à Constituição, entregues ao Congresso na quarta-feira, promovem uma série de mudanças capazes de reduzir as chances de o governo se endividar além da conta, disciplinar as finanças de estados e municípios e racionalizar gastos. Passam o sinal de que o governo tem compromisso com a racionalidade econômica

A realidade atual da economia brasileira é negativa: crescimento pífio este ano, na casa de 1%, déficit fiscal alto e desemprego de 11,8%. Mas os fatores acima alimentam esperanças de um crescimento maior em 2020 – e perspectiva de futuro é o que move o mercado e o meio produtivo. Deste modo, Bolsonaro pode ter certo respiro nesta seara. Períodos assim, contudo, costumam ser raros e curtos na vida dos presidentes brasileiros.

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