Justiça

Os obstáculos para que Queiroz fale e entregue o que sabe

Diego Escosteguy - há 2 semanas

A negociação de delação premiada de Fabrício Queiroz tem um problema central: se ele apresentar o que sabe e o que tem, a negociação pode subir para Brasília. Queiroz, como principal operador financeiro do esquema das rachadinhas nos gabinetes dos Bolsonaro e, também, das finanças da família, tem a oferecer elementos contra o senador Flávio Bolsonaro e o presidente da República, Jair Bolsonaro.

Os principais fatos a ser potencialmente apresentados por Queiroz não dizem respeito às atividades de Bolsonaro como presidente e de Flávio como senador. Assim, não haveria foro privilegiado a ambos no Supremo. (Em 2018, o tribunal estabeleceu que o foro só existiria se o caso envolvesse fatos criminosos durante o mandato e em função dele.)

Queiroz, porém, já indicou que prepostos da família Bolsonaro ajudaram na sua defesa e a combinar versões que blindassem o presidente e o senador. Se isso for confirmado na proposta de delação, pode-se configurar o possível crime de obstrução de Justiça. Nesse cenário, a delação subiria para Brasília - para a Procuradoria-Geral da República.

Mesmo que Queiroz se atenha a elucidar o esquema das rachadinhas, a defesa de Flávio Bolsonaro e do próprio presidente pode ter sucesso, junto ao Tribunal de Justiça do Rio, em conseguir que o caso suba para Brasília.

A família Bolsonaro fará de tudo para que essa negociação não prossiga. Mas, caso prossiga, fará de tudo para que suba à PGR.

Subir à PGR, hoje leal a Bolsonaro, é a garantia de que Queiroz não falará.

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