Justiça

Caso Witzel e o método Adriana Ancelmo: surgem evidências de lavagem de propina por meio de escritórios de advocacia ligados ao governador

Diego Escosteguy - há 4 meses

As principais evidências que justificaram a operação Placebo, deflagrada hoje pela PGR e a PF, envolvem contratos aparentemente fictícios e pagamentos altamente suspeitos a escritórios de advocacia ligados ao governador Wison Witzel.

Os pagamentos foram feitos por meio de empresas controladas pelo empresário Mário Peixoto, fornecedor do governo do Estado preso na semana retrasada. Segundo as evidências, o escritório de Lucas Tristão, secretário de Witzel e seu braço-direito desde o tempos de magistratura, recebeu ao menos R$ 225 mil de uma empresa de Peixoto, aparentemente sem justificativa.

Os investigadores descobriram um contrato firmado entre uma empresa controlada por Peixoto e o escritório de Helena Witzel, mulher do governador. Há mensagens secretas que sugerem pagamentos à mulher de Witzel, mas Vortex não conseguiu apurar se há rastro financeiro dessas transações.

Esses elementos de prova, frise-se, foram enviados pelos procuradores do Rio à PGR há poucos dias. (A investigação pouco tem a ver com a PF.)

Os investigadores têm elementos de que esses pagamentos eram, na verdade, propina para a obtenção de contratos na área de Saúde - mas não só nela - junto ao governo do Estado.

Os procuradores e delegados também já detêm indícios de que esses dois escritórios de advocacia - o de Lucas Tristão e o de Helena Witzel - são os principais canais de pagamento de propina e lavagem de dinheiro da nova organização criminosa que se instalou no Rio. (Diante das evidências disponíveis, já é possível afirmar, acima de qualquer dúvida razoável, que há uma nova organização criminosa em funcionamento na cúpula do Executivo do Estado.)

Esse método lembra o usado por Sérgio Cabral, por meio do escritório de sua mulher, Adriana Ancelmo, que recebia propina em condições semelhantes.

Como escritórios de advocacia ainda são protegidos na maioria das investigações de colarinho branco do país, continuam sendo uma forma segura de lavar dinheiro de corrupção. Poucos juízes autorizam quebras de sigilos fiscais e bancários de escritórios, mesmo diante de provas robustas de que advogados tenham participado de esquemas criminosos.

A permanência desse tipo de expediente expõe um limite imposto pelas cortes à Lava Jato nos últimos anos: avançar sobre escritórios de advocacia que apresentam fundadas suspeitas de servirem como laundromats de dinheiro sujo. Sem passar pelos escritórios, não se chega à corrupção no Judiciário, aliás.

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