Justiça

A decepção dos ministros do Supremo com o silêncio dos procuradores da República mais jovens acerca da atuação de Aras

Diego Escosteguy - há 2 meses

Reservadamente, os ministros mais críticos à atuação de Augusto Aras frente à Procuradoria-Geral da República dizem-se decepcionados com o silêncio dos procuradores mais jovens da instituição. Ao menos dois deles revelam-se, até certo ponto, frustrados com o que julgam ser uma atitude excessivamente passiva por parte dos procuradores - dos "meninos", como diz um ministro.

"Não sei se é uma questão de geração, por vivermos em novos tempos, mas esse silêncio (dos procuradores mais jovens) me espanta", diz um ministro altamente influente. "Aras está destruindo a credibilidade da PGR, aparentemente sem oposição ou pressão interna." Esse ministro não se refere apenas ao inquérito contra Bolsonaro. Sua crítica contempla a postura de Aras desde que assumiu o cargo, ano passado. O que inclui a instrução de processos em andamento.

Um segundo ministro, que não é nenhum Torquemada, lembra uma lição: "A minha geração aprendeu que, se quisesse mudar algo, precisava fazer um barulho - um bom barulho".

Esses ministros ressaltam que há um limite para críticas do Supremo ao PGR. "Se os procuradores, que deveriam ser os primeiros e maiores interessados em manter um Ministério Público forte e altivo, não se manifestam, qualquer declaração nossa beira a inutilidade", diz um deles.

Um terceiro minimiza a postura dos procuradores. Mas ecoa algo que se ouve com cada vez mais frequência na cúpula da Suprema Corte: "Aras está atuando para obter a vaga do Celso. Acreditou na cenoura que Bolsonaro colocou à frente dele".

As críticas dos ministros a Aras confundem-se com a ojeriza majoritária a Bolsonaro. Ainda assim, é notável e talvez inédito o nível de insatisfação dos ministros com o atual PGR. Em alguns casos, essa insatisfação parece revelar, em conversas reservadas, até mesmo desprezo.

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