Os presidentes da República, Jair Bolsonaro e do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, fazem declaração à imprensa no Planalto ()
Justiça

Análise: vídeo torna-se a prova que pode obrigar Aras a denunciar Bolsonaro; caso ganha extrema gravidade

(atualizado: 22/05/2020, 12:43) diego@vortex.media

Quatro fontes presentes hoje à exibição do vídeo da reunião ministerial citada por Moro afirmaram ao Vortex que a prova é altamente prejudicial à defesa de Jair Bolsonaro. Duas delas dizem que o presidente declarou, no encontro, que trocaria o “segurança do Rio” (ele queria dizer “superintendente”) porque sua família estava sendo perseguida por processos no estado. De acordo com essas duas fontes, Bolsonaro disse que havia tentado fazer a mudança antes, sem sucesso – mas que agora a faria mesmo que tivesse que demitir o diretor da PF e o ministro da Justiça. 

“É a bala de prata”, disse-me uma das fontes. Trata-se de uma fonte que entende de balas de prata. 

Uma segunda fonte, que também estava lá, disse que o vídeo é “gravíssimo” e altamente prejudicial ao presidente. “Ficam claras as intenções”, afirmou. “Muita baixaria.” Uma terceira fonte, sem interesse direto no caso mas presente ao ato de exibição na PF hoje, confirmou que o dano à defesa de Bolsonaro deve ser “irreparável”. Uma quarta fonte, também presente, frise-se, limitou-se a confirmar as informações das outras três. Todos falaram sob condição de anonimato. Assinaram um termo assegurando que manterão o sigilo acerca do conteúdo da gravação.

O vídeo da reunião ministerial, que o governo tanto tentou esconder, torna-se, assim, o principal e mais devastador elemento de prova contra o presidente da República. Expõe o motivo, ao que tudo indica, privado para a mudança na PF. Era isso que faltava para a imputação de um crime ao presidente: o motivo antirrepublicano. Em tese, a Procuradoria-Geral da República pode denunciar Bolsonaro por crimes como advocacia administrativa e corrupção passiva privilegiada, entre outros.

A gravação segue em sigilo, até que o ministro Celso de Mello receba a transcrição que pediu do vídeo. Somente após essa leitura o decano definirá se libera ao público a gravação, seja na íntegra, seja apenas o trecho em que o presidente fala da PF.

O dia ainda terá fatos relevantes. Depõem, neste momento, os três ministros militares que estavam nessa reunião e gozam da confiança do presidente. Terão que responder sobre as falas do chefe.

Mais informações em breve.

(1 comentários)

Os comentários não representam a opinião do Vortex; a responsabilidade é do autor da mensagem.

Newsletter

Reportagens exclusivas e as notícias mais quentes na sua caixa de e-mail.

Valorizamos sua privacidade. Nunca enviaremos spam ou compartilharemos suas informações com terceiros.

Assine

O novo modo de fazer jornalismo de que o novo Brasil precisa.

Apoie o nosso jornalismo para que possamos ajudar a elevar a democracia.
Assine Vortex