(Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Justiça

Grupo que pagou propina na Petrobras mirava negócios nos Correios

marcelo@vortex.media

A investigação da Operação Lava Jato que desvendou um esquema de propinas na obra da Torre Pituba, sede da Petrobras em Salvador, levantou a suspeita de que a quadrilha pode ter pilhado outra empresa pública, os Correios.

Por que isso importa?

A delação mostra não apenas outro exemplo de como obras da Petrobras serviram para enriquecer dirigentes, mas que os participantes enxergavam oportunidades de negócios ilícitos em outras estatais.

Ao descrever aos procuradores da República em Curitiba como era distribuída a propina relativa à obra da Petrobras, o delator e empresário baiano Mário Seabra Suarez afirmou que Wagner Pinheiro, um dos beneficiários do dinheiro sujo, recebeu propina na sede dos Correios, em Brasília.

Pinheiro foi presidente do Petros, o fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, durante o governo Lula. No governo Dilma foi presidente dos Correios.

  • Suarez disse ao Ministério Público Federal que mesmo após a transferência para a ETC, Pinheiro continuou recebendo os valores. “Paulo tinha intenções de fazer negócios dentro dos Correios e com o fundo de pensão Postalis”, afirmou. “Os pagamentos foram feitos ao Adeilson Teles, então chefe de gabinete de Wagner Pinheiro nos Correios.”
  • “Paulo” é o empresário Paulo Afonso Mendes Pinto, sócio apontado por Suarez como a pessoa responsável pelo pagamento de propina a políticos, dirigentes da Petrobras, incluindo um ex-chefe de gabinete do ex-presidente da companhia Sérgio Gabrielli, e do Petros, o fundo de pensão dos funcionários da estatal. Paulo Afonso é falecido.
  • O MPF estima que a obra da nova sede da Petrobras na capital baiana tenha rendido um total de R$ 68 milhões em propina, paga pelas empreiteiras OAS e Odebrecht. O custo final da obra superou R$ 1 bilhão, segundo a procuradoria. A fraude foi possível mediante a atuação da empresa Mendes Pinto Engenharia, encarregada do gerenciamento da obra e ligada aos delatores.
  • Alexandre Suarez disse aos investigadores que uma contrapartida exigida da Mendes Pinto Engenharia para que a empresa vencesse a licitação da obra foi algo em torno de R$ 9,6 milhões em propina, tendo como beneficiários, na proporção de um terço cada, “o comitê nacional do PT, via João Vaccari; o PT Bahia, via Cartas Daltro, operador financeiro de Jaques Wagner; e operadores da Petros e da Petrobras, via Armando Tripodi, Wagner Pinheiro e seu assessor, Adeilson Telles, e Newton Carneiro, então diretor administrativo da Petros”.
  • “Foram foram feitos pagamentos a João Vaccari, tesoureiro do PT, a título de propina, que totalizaram cerca de R$ 2 milhões. À época, ficou definido que Vaccari receberia R$100 mil  por mês, mas, para atender demandas da eleição presidência! de 2010, Vaccari pressionou e a maior parte dos pagamentos foi efetivada entre janeiro e setembro daquele ano”, afirmou Mário Suarez.

A delação de pessoas investigadas por irregularidades na construção da Torre Pituba foi disponibilizada publicamente pela força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba nesta segunda-feira (14) à noite. Firmaram delação os irmãos Suarez, Mário e Alexandre, e Marcos Felipe Mendes Pinto, filho de Paulo Afonso.

Box de transparência

Novos negócios

Vortex teve acesso ao conteúdo da delação premiada de Mário Suarez e demais delatores no caso Torre Pituba.

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