( Nelson Jr SCO STF)
Justiça

Caso J&F: delator aproveita julgamento para tentar desmentir Joesley Batista

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Por meio de uma petição enviada ao Supremo Tribunal Federal, a irmã de um colaborador da Operação Lava Jato fez um ataque ao acordo de colaboração premiada do empresário Joesley Batista, do grupo J&F. Roberta Funaro, irmã do delator Lúcio Funaro, afirma que Batista cobra da família uma dívida inexistente.

O Supremo deve julgar no primeiro semestre o pedido de rescisão do acordo de colaboração de Joesley Batista, seu irmão Wesley e de executivos do grupo J&F. Joesley é acusado pela Procuradoria Geral da República de omitir informações. Em um primeiro momento, as informações prestadas por Batista criaram uma crise que quase derrubou o então presidente Michel Temer, em 2017.

Por que isso importa?

O STF pautou para o primeiro semestre o julgamento da rescisão do acordo de delação premiada de Joesley Batista, acusado pela Procuradoria Geral da República de omitir informações. A delação de Batista quase levou à queda do então presidente Michel Temer, em 2017.

Joesley Batista gravou uma conversa com Temer no Palácio do Jaburu em 2017. Num dos episódios, o presidente disse “tem que manter isso aí, viu?”, a respeito da propina que Joesley dizia pagar para manter Funaro e o ex-deputado Eduardo Cunha em silêncio na cadeia. Ambos haviam cobrado propina para ajudar Joesley a fazer negócios como governo.

  • Em seu acordo de delação, Joesley disse que em um dos negócios escusos em que se envolveram, Funaro exigiu a compra de uma casa no Jardim América, em São Paulo, como forma de pagamento de propina. Joesley disse que fez a compra. Agora, quer o imóvel para si.
  • Roberta Funaro afirma que a casa não foi dada por Joesley, mas comprada dele por Lúcio Funaro, em um negócio normal.
  • Na petição enviada ao Supremo, Roberta afirma que uma empresa ligada à família Funaro foi intimada a pagar R$ 2,8 milhões remanescentes da compra da casa, sob pena de uma empresa de Joesley consolidar o imóvel em seu nome.
  • “O pseudo colaborador Joesley Batista vem se utilizando de expedientes extrajudiciais, nitidamente infundados, como mecanismo de retaliação e com o fito de constranger o colaborador Lúcio Bolonha Funaro e sua família”, afirmou Roberta no documento.
  • Segundo ela, o irmão pagou pela casa. Ela diz que a cobrança contradiz informações prestadas pelo próprio Joesley à PGR. “A empresa que este (Joesley) representa debitou da planilha informal constante do respectivo acordo de colaboração o valor de R$15.772.178,16 pela venda da casa (onde mora atualmente a família de Lúcio Funaro), valor esse efetivamente pago”. Ou seja: no acordo de colaboração, segundo ela, Joesley dá a entender que vendeu a casa a Funaro.

Roberta afirma na petição que “trata-se, isso sim, de nova ‘estória’, criada por Joesley Batista, desta feita no âmbito, cível, que contradiz sua própria versão apresentada no âmbito criminal, quando da celebração de acordo de colaboração premiada”.

A estratégia da irmã de Lúcio Funaro é aproveitar a oportunidade do julgamento no Supremo para lançar mais uma dúvida em torno da questionada delação de Joesley Batista e seu irmão. O objetivo é se livrar não apenas do pagamento dos R$ 2,8 milhões, mas deixar Funaro de fora de mais um episódio de corrupção.   

O relator do processo no STF é o ministro Edson Fachin. Em reiteradas manifestações, incluindo dos ex-procuradores-gerais Rodrigo Janot e Raquel Dodge, além do atual, Augusto Aras, o Ministério Público Federal pediu a rescisão do acordo de delação premiada dos executivos do J&F, com a cassação de benefícios, mas com a revalidação de provas fornecidas por eles. Assim, Joesley, o irmão e executivos do grupo perdem os benefícios, mas as provas por eles fornecidas valem para as investigações.

Box de transparência

Disputa entre ex-parceiros de negócios

Vortex teve acesso à petição da advogada Roberta Funaro apresentada ao ministro Edson Fachin. A defesa de Joesley Batista foi procurada, mas não respondeu até a conclusão deste texto.

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