(Foto: Adema/Governo de Sergipe)
Justiça

Vazamento de óleo nas praias: Marinha e PF só descartam naufrágio

carla@vortex.media marcelo@vortex.media

Três meses depois do aparecimento de manchas de óleo no litoral brasileiro, a Marinha e a Polícia Federal seguem diferentes linhas de investigação em busca da causa do desastre ambiental. Apesar de a Polícia Federal ter direcionado suas suspeitas iniciais para um petroleiro grego, a Marinha ainda considera a possibilidade de se tratar de um “navio pirata” — ou dark ship, como são chamadas as embarcações que navegam fora da lei, com sistemas de localização desligados.

Por que isso importa?

A investigação envolve a busca pela origem do óleo que causou um dos mais graves desastres ambientais no litoral brasileiro.

724
é o número de localidades com mancha de óleo no litoral

Essa suspeita vem ganhando força diante da comprovação de que o óleo tem origem venezuelana. Diante do embargo norte-americano ao petróleo da Venezuela, players internacionais conseguem negociar preços mais atrativos e fazem o transporte com esses navios. Há suspeita de que embarcações desse tipo passaram pela área.

Uma fonte do Ministério da Defesa disse ao Vortex que até agora só foi descartada a possibilidade de que o material teria origem de um cargueiro naufragado. As linhas de apuração da Marinha são:

  • Eventual rompimento de poço anteriormente perfurado e atualmente desativado (Exsudação) : Ainda que se saiba a origem do óleo e que seja remota a probabilidade de haver óleo com essas características em poços perfurados na área investigada, foram levantados todos os poços perfurados na região, as empresas responsáveis e as características do óleo extraído.
  • Afundamentos recentes ou antigos de navios: A investigação verificou que não houve afundamento recente na área investigada, pedidos de socorro ou alguma situação meteorológica recente que pudesse ter ocasionado um afundamento súbito, não reportado ou pedido de socorro.
  • Tambores de óleo surgidos nas praias do Nordeste e encontrados no mar: O conteúdo de todos os tambores foi analisado e se constatou a presença de mistura oleosa com características distintas do óleo cru que aparece nas praias. Mesmo assim, com o auxílio dos fabricantes, cujas marcas estão exibidas nos tambores, estão sendo contactados diferentes distribuidoras dos lotes de cada tambor e companhias de navegação que os transportaram, a fim de rastrear quais navios que passaram em nossa costa e lançaram esses tambores ao mar.
  • Derramamento (acidental ou intencional) durante trânsito de navios petroleiros: Foi efetuado estudo do tráfego marítimo na área investigada. Foram identificados 30 navios de 11 bandeiras diferentes. A área apontada pela PF como origem do vazamento estava dentro da área investigada pela Marinha. Três navios transitaram no período na área indicada, sendo que apenas um deles transportava óleo cru, o Bouboulina.

Embora atuem em cooperação, o trabalho das instituições encarregadas de desvendar o mistério esbarra nas diferentes formas de atuação. Polícia Federal e Marinha seguem protocolos distintos. 

  • A Marinha opta por esgotar todas as possibilidades para depois se pronunciar sobre o caso
  • A PF  identificou uma suspeita e direcionou seu focou a ela. Com o aval da Procuradoria da República no Rio Grande do Norte e autorização da Justiça Federal, a polícia realizou a Operação Mácula e vasculhou endereços comerciais ligados aos representantes no Brasil da empresa Delta Tankers, proprietária da embarcação grega Bouboulina. A empresa reagiu e negou responsabilidade no episódio.

A PF e a Marinha recorreram aos tratados internacionais e pediram a outros países informações acerca do tráfego marítimo na área onde foram identificadas manchas de óleo.

Box de transparência

Oceano

Vortex conversou com integrantes da cúpula da Marinha e investigadores da Polícia Federal e do MP sobre os desdobramentos da apuração.

Newsletter

Reportagens exclusivas e as notícias mais quentes na sua caixa de e-mail.

Valorizamos sua privacidade. Nunca enviaremos spam ou compartilharemos suas informações com terceiros.

Assine

O novo modo de fazer jornalismo de que o novo Brasil precisa.

Apoie o nosso jornalismo para que possamos ajudar a elevar a democracia.
Assine Vortex